no escuro e vendo


Dois ótimos filmes em cartaz
fevereiro 6, 2010, 2:07 pm
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Mother – A Busca Pela Verdade
(madeo, dir.: joon-ho bong, 2009)
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Deficiente mental falsamente acusado de crime. Uma mãe em luta pelo filho. Joon-ho Bong já inicia seu filme com uma quebra de expectativa, a dança da mãe pode ser vista como o ridículo à que se expõe,  o estranho e incompreensível mundo do filho ou (mais tarde) como um agradecimento/comemoração.

Os lapsos de memória do filho, as meias-histórias, as falsas pistas. Com esses elementos o diretor vai rompendo a linha entre seu filme e os dois elementos (clichês) iniciais. O decorrer do longa de certo modo é independente à todo resto, conexo por nós em um roteiro bem escrito e uma montagem bem executada que transformam inúmeros momentos em  unidade no filme. Suspense dos bons.


Procurando Elly
(darbareye elly, dir.: asghar farhadi, 2009)
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A falta de controle humano com os acontecimentos é linda. As ações geram reações nem sequer imaginadas e sempre palpáveis. A vítima clara – talvez sejam duas – perfeitamente construída vai caindo até que seja quebrado o dualismo. Mal e bem ficam pequenos no infreável da vida. O filme ainda é incrívelmente hábil em seus gêneros, um suspense bem escrito de tensão inquebrável. A cena envolvendo os dois desaparecimentos é um gráfico onde a tensão sobe muito bem e quando que ameaça descer, sobe ainda mais, tomando como sua parte o estranho e o misterioso daquele momento.



1 ano de blog
fevereiro 6, 2010, 1:10 am
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Quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010, este blog fez um ano! Não é o mais visitado ou comentado da internet, nem tem essa pretensão. Mas foi o mais longe que eu consegui chegar com alguma meta. Escrevi durante um ano alguns comentários sobre filmes que assisti e me serviu para algumas coisas.

Por ora não tenho nada de especial para apresentar nesse aniversário, mas sai em breve um ranking com “meus filmes da década” e também um blog hospedado, bonitinho, com design próprio.

Obrigado à quem leu minhas bobagens nesse ano.



Filmes de Janeiro de 2010
fevereiro 1, 2010, 2:07 pm
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8 1/2 (Frederico Fellini, 1969)
As Ervas Daninhas (Alain Resnais, 2009)
O Homem de Palha (Robin Hardy, 1973)
O Novo Mundo (Terrence Malick, 2005)
Se Nada Mais Der Certo (José Eduardo Belmonte, 2008)
Síndromes e um Século (Apichatpong Weerasethakul, 2006)

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Madeo (Joon-ho Bong, 2009)
OldBoy (Chan-Wook Park, 2003)
True Lies (James Cameron, 1994)
Vício Frenético (Abel Ferrara, 1992)

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Paranoid Park (Gus Van Sant, 2007)
Preciosa (Lee Daniels, 2009)
Avatar (James Cameron, 2009)

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2012 (Roland Emmerich, 2009)
Amor Sem Escalas (Jason Reitman, 2009)
Donnie Darko – The Director’s Cut (Richard Kelly, 2004)
O Segurança Fora de Controle (Jody Hill, 2008)

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Um Olhar do Paraíso (Peter Jackson, 2009)

BALL



Donnie Darko

Gostei quando assisti ao original Donnie Darko. Richard Kelly em seu filme de estréia se mostra um bom diretor de suspense. Os furos e a dificiculdade de compreensão de seu filme são convertidos em mistério, como se tudo estivesse mesmo ali e tivesse de fato grande importância. De certa forma, Donnie Darko, em 2001, foi um filme grande, principalmente adequando as proporções. Foi alvo de inúmeras discussões por forums na internet. Os furos  criaram uma mitologia/culto ao redor deles.

Pois bem. Em 2004, Richard Kelly lançou sua “versão do diretor”, que eu ví somente ontem. E confesso que o filme perdeu bastante – se não toda – sua graça. Os furos são parcialmente tapados, mas mantém sua narrativa em estado estranho. O resultado é um filme menor. Com o poder que conquistou, o diretor transformou seu filme em mero exemplar regular de suspense sobre viagem no tempo e fim do mundo. Um narrativa redonda que após sua conclusão, se torna completamente desinteressante.

Além disso, se em 2001 os efeitos davam impressão de um filme B, underground, talvez subversivo, feito escondido no porão, os efeitos empregados porcamente têm um resultado péssimo. Quase todos os momentos “novos” (quando não extras  de cenas excluídas de DVD) parecem ter sido feitas depois do lançamento da primeira versão de 2001 (o que eu não duvido que se confirme).

A versão de Richard Kelly é como se o famoso último episódio de A Caverna do Dragão tivesse sido exibido, e no fim das contas, preferíssimos esse saudosismo ao que nos é vazio. E o vazio sermelhor não é um bom sinal.

donnie darko (idem – 2001, dir.: richard kelly) starstarstar
donnie darko – the director’s cut (idem – 2004, dir.: richard kelly) starstar



Amor Sem Escalas
janeiro 21, 2010, 1:37 pm
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Quando foi que ser bonitinho e não ferir gravemente nossa inteligência se tornou suficiente para chamar um filme de ótimo? E muitos são os filmes com charme de quem não quer nada foram aplaudidos de pé. E não vou dizer somente sobre os pseudo-indies-norte-americanos e minha birra com eles. O mesmo Jason Reitman desse “Amor Sem Escalas” fez “Juno”, bonitinho também, atores ótimos. Mas situações bestas em um roteiro metido à besta, que levou um Oscar.

“Amor Sem Escalas” é até bem dirigido. Novamente, bonitinho e agradável. Ótimo elenco. Um roteiro menos prepotente. É suficiente? Jamais! Nunca decola (o trocadilho do ano), faz suas piadinhas, e mantem-se em solo. Não se arrisca a nada, quase não pensa. O que talvez seja até melhor: suas idéias são simplistas, convencionais e conservadoras.

O elenco sim, está bem. A graça é alcançada por eles acredito que todo o tempo. Mas faltou algo que valesse a pena naquelas idas e vindas todas.

amor sem escalas (up in the air – 2009, dir.: jason reitman) starstar



As Ervas Daninhas
janeiro 20, 2010, 2:09 pm
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Eu não via um filme em uma sala de cinema que me impressionasse tanto há algum tempo. Vi em São Paulo, na Reserva Cultural, Avenida Paulista. Quando saí, pensei “nossa como a Paulista ta cheia” (!). Tinha ingressos comprados para ver “É Proibido Fumar”. Perdi 7 reais porque não estava com um mínimo de atenção para assistir a um segundo filme.

A Paulista, obviamente, não estava mais cheia do que em qualquer outro dia. Mas eu estava absolutamente imerso naquele drama/comédia/romance de quatro pessoas. Drama, comédia e romance é talvez uma básica descrição da vida. E “Ervas Daninhas” é vivo. Quando escrevi sobre “Bastardos Inglórios” citei que Inácio Araújo definiu uma boa palavra para seu diretor, era vigor. Pois bem, não somente pelo cinema (o filme é tecnicamente lindo e mais umas dezenas de adjetivos), como é possível dizer sobre Tarantino, mas aos 88 anos Alain Resnais tem um vigor maravilhoso quanto à vida. Não à suas questões transcendentais filosóficas. Nem a uma maturidade alcançada com a idade. Mas à vida corriqueira, do dia-a-dia, suficientemente simples para  não a vermos.

As ervas daninhas do filme são assim, mato. Comuns e invasivas. Mas de alguma forma fazem parte dessa composição-ambiente. Os personagens são inconstantes, errantes, românticos.  Alain Resnais os ama. Eu também.

as ervas daninhas (les herbes folles – 2009, dir.: alain resnais) starstarstarstarstar



Os melhores cartazes do ano
janeiro 16, 2010, 10:08 pm
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Chico, pelo twitter: link do The Auteurs com os melhores cartazes do cinema nesse ano. Aqui . Meu preferido, aqui embaixo.



Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar

Como nos outros filmes de Honoré, os conflitos não tem cenas de clímax. Esse estão compostos nas características de seus personagens, em cenas cotidianas que parecem vazias e na lembrança de outros filmes do diretor. A pequena ponta de Louis Garrel nesse filme, é exemplo. Quase fora de um filme do diretor francês depois de três consecutivos, sua aparição vem para se conectar em uma personagem feminina, o pessoa de Honoré dessa vez. A personagem é o conflito de toda a história. É a “revolucionária”, como diz o personagem de Garrel, tentando viver em vida comum. Tentando se adaptar às mesmas convicções de sua família. O que já é problema, visto que sua família também não é exemplo de qualquer paz.

Essa persona conflituosa é muito bem vivida por Chiara Mastroianni, que parece dar conta do olhar e do como é olhada. A mãe de duas crianças ao mesmo tempo que parece infantil, em seu ego, é forte, ainda que fora de controle. Mas o fora de controle é sempre o ponto de chegada de Honoré.

não, minha filha, você não irá dançar (non, ma fille, tu n’iras pas danser – 2009, dir.: christophe honoré) starstarstar



Vício Frenético
janeiro 14, 2010, 12:06 am
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Não existe beleza na vida do policial de “Vício Frenético”. Não existem belos planos ou quadros fotogênicos. Existe o talento de Abel Ferrara para captar o inferno em seu calor e em cenas sexuais abomináveis, sem qualquer tesão. A beleza é talvez alugável por alguns minutos, mesmo que só o seja assim considerável para esse personagem miserável. É o se contentar com migalhas. Também não existem vitórias à ele favorável, não existe misericórdia vindo de nenhum dos lados. A beleza que existe para aquela freira ele está muito longe de conhecer, assim, quando pede por sua misericórdia, descordenadamente, recebe da mesma forma miserável que segue sua vida.

Harvey Kietel, muito longe da tristeza introspectiva, tem na sua personagem a personificação de próprio caos. Sua descrença em seus próprios atos é mostrada em caretas e resmungos que formam o filme.

vício frenético (bad lieutenant – 1992 , dir.: abel ferrara) starstarstarstar

Vamos ver na sexta-feita o que Werner Herzog fez com o material.



Homem de Palha
janeiro 12, 2010, 9:55 pm
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A inconsequência de um filme B leva qualquer coisa às telas, faz de  “O Homem de Palha” um filme estranho por toda a sua duração, mesmo que não pareça ter sentido, mesmo mal feito ou de mal gosto. Mas a atmosfera é um objeto estranho: suspense, comédia e erotismo. Um dos filmes mais atrevidos e provocativos que já ví.

o homem de palha (the wicker man – 1973 , dir.: robin hardy) starstarstarstarstar

No Cinemorama tem várias curiosidade que só a biblioteca do Miguel tem. Vale ver.