no escuro e vendo


Pro Dia Nascer Feliz
Novembro 13, 2009, 11:30 am
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O maior clichê social do Brasil talvez seja que o país precisa investir em edução. É assim-que-nem aquela história de que cada um tem que fazer um pouquinha para… E de quem é a culpa? É a falta de incentivo e o ínfimo de exemplos de sucessos escolarizados que chega até as pessoas? Os professores são desestimulados? Os alunos são desestimulados? Os professores desestimulam, ou os alunos ? Falta verba do governo ou falta ação popular?

Não, “Pro Dia Nascer Feliz” não é um panfleto educacionista. É sobre as pessoas envolvidas nesse processo, o lado humano. Os estudantes, os professores e, timidamente (no documentário), os pais. São exemplos que canalizam várias idéias e certezas sobre os assuntos mas nunca ratos de laboratórios a favor de uma pesquisa.

Eu estudei em escolas públicas toda minha vida, digo que “Pro Dia Nascer Feliz” é sintético sobre  o meu ambiente escolar. É básico e certeiro. Os alunos sob influências externas, os negligenciados e simultâneamente superestimados professores, o papel principal da escola na vida de muitos.

Mas como disse, e mais que um plano sobre escolas, é sobre pessoas. E assim, involuntariamente talvez, é um dos panfletos educacionistas mais bem elaborados e tocantes. Não é possível passar passivo perante a história de cada uma daquelas pessoas, o tipo de filme que te força a sair da sessão como um pretenso revolucionário.

E João Jardim ainda dá mais um ponto positivo inesperado em seu filme. Sai da labuta dos desprovidos para salas de aulas particulares. Se é um filme tão humano, não menos o são aqueles que teorico e popularmente sofrem mais. Porquê então seriam mais importantes as tristezas, por exemplo, de Valéria do que as de Cissa? É óbvio as oportunidades que a segunda possui em relação a outra, mas isso não a torna menos humana. É uma adolescente tão afetada quanto e pelas mais diferentes coisas.

O diretor mais que acerta, portanto. Meus olhos saltam para filmes que aceitam e são apaixonados pelo ser-humano como esse. E estes seres-humanos são o material do documentário, o diretor parece não interferir nunca, mostra acreditar naquilo que está fazendo. E para o gênero “documentário” não deve existir ponto de partida melhor.

pro dia nascer feliz (idem, 2006, dir.: João Jardim) starstarstarstar



DIÁRIO DA 33ª MOSTRA – II

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Mostra Internacional de Cinema de São Paulo >> Dia II – 03/11

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Síndrome de Pinóquio – Refluxo
dir.: Thiago Moyses – Brasil – 2009  BALL

Deixaram abrir uma mente óbvia para se fazer um filme como se fosse a mais original das coisas, com necessidade de dificuldade no discurso, provavelmente o diretor também posa de incompreendido. A troca das línguas só realmente faz sentido porquê a sinopse me havia dito antes.

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O Sol do Meio-Dia
dir.: Eliane Caffé  – Brasil – 2009 starstar

Um filme bem menos sensível do que demonstra acreditar ser. Nas cenas onde toca na ferida dos masculinos consegue pulsar o sentimento, na primeira metade também consegue alguma aproximação junto aos personagens. Mas basta, daí em diante, com a separação dos dois personagens se perde no óbvio, no regionalismo e no apreço a isso como exótico. Um elenco excelente, porém.

Vencedor de melhor filme nacional.

pixo

Pixo
dir.: João Wainer/Roberto T. Oliveira – Brasil – 2009 (sem nota)

Ví os último vinte minutos apenas, porquê a sessão de O Sol do Meio-Dia atrasou. O filme mais aplaudido pelo público dentro os que ví, na pequena sala não faltou gente (como eu) de pé ou nas escadas para assistir. Do que ví, uma boa exploração de uma parcela quase invisível para a sociedade, não fe sossem esses esquecidos intrometer-se, ferir, esse outro mundo. Eu me senti feliz pela cena na Belas Artes, os depoimentos dos alunos e do diretor ainda aumentaram. Também foi interessante ouvir, durante os depoimentos dos pichadores, algumas expressões que constroem o argumento fora da tela, na própria sessão. Cinema social, de onde ví, que alcança o almejado.

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Making Plans For Lena
dir.: Christophe Honoré – França – 2009 starstarstarstar

Dizer que sou admirador de Honoré parece necessário. Um filme que parte de uma premissa pequena e que o diretor amplia. No elevador reclamaram ser “mal costurado”, e deve ser isso mesmo que gosto. Essas sobras do que realmente intereressa, mas que recebem um tratamento igual. Eu me apaixonei por todos os personagens da filmografia de Christophe Honoré, desde Todos Contra Léo, esse também não fugiu a regra.



Diário da 33ª Mostra – I

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Mostra Internacional de Cinema de São Paulo >> Dia I – 02/11

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Os Famosos e os Duendes da Morte
dir.: Esmir Filho – Brasil/França – 2009 starstarstar

A camada do filme que versa sobre a fuga pela internet é boa, os invencionismos estéticos também são muito menos ocos do que imaginei e ainda conta com um ou dois momentos bem bonitos. Os  problemas estão nos desvios que o filme dá, e ainda presentes no seu ponto fraco: os buracos propositalmente colocados para ter movimento. As resoluções parecem parecem sair de foco. Se resolvem, mas perde algumas coisas pelo caminho.

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Viajo Porquê Preciso, Volto Porquê Te Amo
dir.: Karim Aïnouz, Miguel Gomes – Brasil – 2009 starstarstarstar

Os diretores que entregaram dois dos mais sensíveis dos filmes brasileiros da década entregam mais um. Protagonizado por um geólogo invísivel, só poderia ser uma passagem de tempo e espaço. Uma viagem existencialista do personagem, que os diretores fazem mais uma vez sem pousar nos clichês sociais da região nordeste. A música brega mais uma vez me ganhou fácil.

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Uma Vida Real
dir.: Sarah Leonor – França – 2009 starstarstar

Dava para achar estranho a mudança direta que o filme faz na sua metade para se metaforizar, mas ganha conseguindo dar recheio ao casal formado por um assaltante e uma professora.  A outra guinada ao oposto, no fim,  se dá de maneira mais orgânica, mesmo que não menos óbvia. As músicas do filmes

c vbnsão lindas.

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My Home is Copacabana
dir.: Arne Sucksdorrf – Suécia – 1965 starstar

Os personagens demoram um pouco para chegar no ponto que o diretor deseja. A opção por seqüencias menos óbvias dá alguma vantagem, mas a narração em off parece trazer de volta o filme para o assistencialismo internacional ao terceiro mundo.

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Quando os Limões Amadurecem…
dir.: Mohammad Reza Vatandoost – Irã – 2009 BALL

Um filme completamente perdido quando se fala em qualquer coisa. O elenco, o roteiro pedante, a montagem que, se sai dos fades, é direto para um choque brusco.

perfidia

Perfídia
dir.: Rodrigo Bellot – EUA, Chile – 2009 star

O tédio, conheça-o. Sempre pedante em suas cenas longuíssimas, quase poderia dizer que ocas, não servissem à uma idéia (ruim). Pela fotografia e o ator talvez, consiga alguma tensão que salva o filme.  Se quer saber que está acontecendo enquanto vemos esse nada acontecer, mas não valia assim tanto a pena.



Diário da 33ª Mostra – Cotações dia I e II

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Dia I – 02/11

Os Famosos e os Duendes da Morte starstarstar
Viajo Porquê Preciso, Volto Porquê Te Amo starstarstarstar
Uma Vida Real starstarstar
My Home is Copacabana starstar
Quando os Limões Amadurecem… BALL
Perfídia star

Dia II / 03/11

Síndrome de Pinóquio – Refluxo BALL
O Sol do Meio-Dia starstar
Pixo (sem nota)
Making Plans For Lena starstarstarstar

 



Filmes de Outubro
Novembro 1, 2009, 2:43 pm
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Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009)
O Céu de Suely (Karim Ainouz, 2005)

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A Floresta dos Lamentos (Naomi Kawase, 2006)
Entre os Muros da Escola (Laurent Cantet, 2008)
Pro Dia Nascer Feliz (João Jardim, 2006)

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Anticristo (Lars Von Trier, 2009)
Bolt (Byron Howard, Chris Williams, 2009)
Dez (Abbas Kiarostami, 2002)
Diário de uma Paixão (Nick Cassavetes, 2004)
Eu Te Amo, Cara (John Hamburg, 2009)
A Garota Ideal (Graig Gillespie, 2007)
Quatro Noites com Anna (Jerzy Skolimowski, 2008)

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BALL



Cine Paradiso
Outubro 30, 2009, 4:56 pm
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Provavelmente meu lugar preferido na cidade. Era único, da galeria a toda a atmosfera desse cinema. Muito, muito triste. Mais uma igreja para cidade, provavelmente.



33ª Mostra de São Paulo

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Eu vou estar lá!

02/11
Os Famosos e os Duendes da Morte
Enfermaria nº 6
Viajo Porquê Preciso, Volto Porquê Te Amo
Uma Vida Comum
My Home is Copacana
Quando os Limões Amadurecem…
Perfídia

03/11
Síndrome de Pinóquio – Refluxo
Soul Kitchen
Pixo
Making Plans For Lena
Caviera My Friend

Sobre os filmes: www.mostra.org



Bastardos Inglórios

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Obrigado Inácio Araújo mais uma vez, porquê de fato “vigor” é a palavra para Tarantino. Os filmes do diretor exprimem um amor pelo cinema sem-número. Se o cinema de Quentin Tarantino traz técnicas belíssimas, em nenhum momento é possível assistir uma preocupação com a casca.

Em “Bastardos Inglórios”, o mais pop dos diretores coloca o cinema acima de tudo. Acima da história. Também o usa (literalmente) como arma.  Nunca é panfletário. E quanto do filme é político? Quase nada. muito muito pouco; o inevitável.

Novamente o diretor tira interpretações maravilhosas de seu elenco, de ponta a ponta. Atores quase todos pouco conhecidos pelo cinema mundial. A cena inicial, com um extenso diálogo entre um oficial nazista e um campônes que protege judeus, traz duas. A primeira, de Christoph Waltz,  que se estende por toda a projeção (não é possível dizer que há um melhor momento, a performance do alemão é de uma constância exemplar, o tipo de vilão que ao mesmo tempo cativa amor e ódio, ao mesmo tempo e com alguma culpa). A segunda, de um francês iniciante chamado Perrier LaPadite, é intensa, exibe a mesma tensão que Quentin aplaca na platéia, até perder o fôlego, com as palpebras tremendo. Lindo.

Ainda temos Brad Pitt, mostrando mais uma vez que precisa de bons papéis, Diane Kruger, sintética e exata, e a francesa Mélanie Laurent, a interpretação feminina do filme, a vingadora das constantes dos Tarantinos, criando uma personagem que alcança o esperado para uma personagem em desequilibrio.

A última cena pode ser vista como um epílogo, a justificativa que muda o sentido do adjetivo do título. A cena conclusiva, a no cinema, portanto, fecha o filme em um ensaio de insanidade, com direito a risos estriônicos. E com o perdão do paradoxo, toda essa insanidade é muito sã. A primeira seriedade na filmografia de Quentin Tarantino, não poderia e não deveria passar disso. É o vigor de não deixar descansar o próprio cinema.

bastardos inglórios (inglourious basterds, 2009, dir.: quentin tarantino) starstarstarstarstar



As melhores animações de todos os tempos
Outubro 20, 2009, 6:31 pm
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Segundo Terry Gilliam e Time Out. Eu acho que concordo com a escolha principal. Link aqui.

Via Cinematório.



Diretores: Quentin Tarantino
Outubro 15, 2009, 2:10 pm
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2009 - Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds) starstarstarstarstar
2007A Prova de Morte (Death Proof) starstarstar
2004 – Kill Bill – Vol. 2 (Kill Bill – Vol. 2) starstarstarstarstar
2003 - Kill Bill – Vol. 1  (Kill Bill – Vol. 1) starstarstarstarstar
1997 - Jackie Brown (Jackie Brown) starstarstar
1994 – Pulp Fiction (Pulp Fiction) starstarstarstar
1992 – Cães de Aluguel (Reservoir Dogs) starstarstarstar