um olhar do paraíso

“The Lovely Bones” tem apenas uma série de momentos de graça cinematográfica. Se encontra no tempo entre quando  a garota assassinada cessa sua narração em off (na qual a cada instante parece querer deixar pairando no ar que ela não está mais viva, como se fosse dessa forma genial e criativo) e a aparição dos efeitos especiais (de plástico) do longa.

Peter Jackson, no que ví até agora com seus créditos (Trilogia do Anel, King Kong, Almas Gêmeas e este), não parece ser um diretor dos mais criativos, embora pense ser. Assim como em “Almas Gêmeas”, o máximo que ele consegue é fazer o vento soprar leve com pessoas caminhando como que sobre algodão, se em bom momento, cenário extremamente colorido e em diversidade, se mal, imagem e semelhança dos pântanos dos desenhos da Disney. Os campos elíseos de Peter Jackson entram na definição clichê de campos verdejantes, abertos, de lagoinhas, sol forte e céu azul.

A montagem é responsável por quase todos os bons instantes. No melhor momento do longa, alterna-se a cena entre o local onde a garota será assassinada e um jantar que sua família goza. Edição que dará paridade à algumas idéias do filme.  A trilha também é bem bonita, mas assim como o restante, em seu desejo de alcançar uma elevação, acaba indo junto para o óbvio.

Outro destaque é Stanley Tucci. Seu personagem, como todos os outros, é raso, mas o ator consegue criar uma persona correta. A frieza não é constante, tornando o personagem humano, dando credibilidade à seu medo e sua fragilidade. O restante do elenco é agradável, mas não consegue sobrepor a criação pequena.

Mas nada no filme o afunda tanto quanto as sabotagens que faz para si mesmo. As resoluções são interessantes. Mas o diretor dá ênfase à alguns momentos que fazem dessas soluções questionáveis. O perdão é bonito o suficiente para suprimir o perigo? E aquele beijo? Um pouco egoísta? E talvez ela não teria aceitado tudo tão bem, então? Sem contar todo o discurso determinista, simplistissíssimo.

um olhar do paraíso (the lovely bones – 2009, dir.: peter jackson) star

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3 Respostas para “um olhar do paraíso

  1. Pelo o amor de Deus quanta mentira escondida em sua verdade mascarada.
    O filme é tudo de bom, porque foge do comum que vemos nos filmes, na maioria das vezes é aquela comédia com mulheres peladas e homens musculosos, o drama da mocinha em busca de seu amor, a aventura cheia de efeitos especiais. Esse é diferente é a buscar da aflição com olhares temendo o óbviu, é tudo de bom. Vê se para de fazer lamentações Peter Jackson!

  2. Pingback: Os filmes de 2010 vistos ate aqui « no escuro e vendo·

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