o casamento de rachel

rachel

Com Anne Hattaway eu simpatizo desde de Diário de Princesa – e nunca foi muito além disso. Embora em Diabo Veste Prada sua personagem seja morna,  e Merryl Streep esteja ali, o pouco que sobrou de um filme bem bobinho também foi um pouco mais por conta dessa simpatia. Assim, eu fiquei orgulhoso de “O Casamento de Rachel”. Anne Hattaway tem uma interpretação madura e heterogênea de uma personagem já vivida muitas vezes. O deslocamento, as tentativas envergonhadas de um sorriso ou de intimidade, ou o desmoronamento – sempre longe do overacting. Me emocionou não apenas uma vez. Me envergonhei de seu discurso junto dela. Sua interpretação eleva o filme.

Também ótimos todos os coadjuvantes: o pai , Bill Irwin, Rachel, Rosemary DeWitt, e mesmo os menores, como a mão do noivo, Carol Jean Lewis.

Embebida nos dramas e excentricidades, o diálogos são cotidianos, os subtextos vem lentos. Não é preciso de histórias contadas para dramatizar. Talvez as dores de hoje sejam piores que os fatos passado. Vida que segue. E como não quer ser apenas drama (e disso também faz o filme mais real), o casamento é excêntrico (também não como os pseudo-indies moderninhos) e são várias os momentos bonitinhos de fraternidade.

Para chegar até a personagem Jonattan Demme não foi muito além, foi exato. Se em “O Silêncio dos Inocentes” a contenção fez de Hannibal Lecter um dos maiores vilões da história, essa mesma contenção faz da família de Rachel muito mais visceral. A câmera treme, mas muito menos e mais competentemente  do que o moderninho. Vai em direção contrária as pessoas dessa história: treme para a realidade, mas se os atores tremem visível/fisicamente, a câmera pára e observa. A fotografia é funcional e brilhante.  Também é lindo quando  procura outro olhar. Se o de Kim, ou de Rachel, ou se simplesmente nos desloca para fora de qualquer corpo. É um filme de uma família, e certas vezes precisam de intimidade. Não somos dessa familia, nem acho que deveríamos ser. Fazemos parte do excesso de convidados desse casamento. Talvez os vizinhos de 10 anos atrás, olhando pela janela ao lado, achando-se íntimos, mas que conhecem apenas a superfície. E  quando vemos além da epiderme, assutados.

o casamento de rachel (rachel getting married , 2008 dir.: jonathan demme) large-red-star1large-red-star1large-red-star1large-red-star1

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