dublê de corpo

Dublê de Corpo (1984), de Brian de Palma É raro um cinema das últimas décadas que nos dê tanto tesão quando o de Brian De Palma. Para o diretor tal afirmação funciona em vários sentidos, mas aqui vamos considerar propriamente o tesão pelo cinema. O vigor de produzir algo que se ama e de assistir essa nossa arte preferida feita por alguém que partilhe com você essa vontade de fazê-la. Eu não lembro de nenhuma vez em que tenha assistido qualquer um dos filmes do diretor e que não tenha ficado com vontade de ver ou rever qualquer um de seus filmes. “Um Tiro na Noite”, um dos maiores na minha lista, não apenas quando falo desse cineasta, eu já ví pelo menos umas cinco vezes. E veria outras cinco ou dez.

Não são as histórias que me atraem embora sejam sempre muito bem construídas. E também assistiria apenas por elas. Mas é sempre muito mais atraente ver dois sentidos, visão e audição, aguçados. Aqui também entra notar que não  existem tantas as oportunidades para isso sem que haja um oportunismo da parte de quem filma, um simplismo maquiado. Mais que apenas sentidos, os filmes de De Palma acionam (mais ainda) o suspense quando os créditos começaram a subir. Em seu último filme, “Guerra Sem Cortes” (tremam, ainda inédito no circuito brasileiro), por exemplo, eu me senti mais chocado quando tudo aquilo acaba. Fica um peso.

O que realmente aconteceu? De certa forma importa muito pouco e isso é incrível. A impressão de que todo o resto existe para o pós-filme.

Em Dublê de Corpo, que tive a oportunidade de rever uma semana atrás, vemos a história ser subvertida inúmeras vezes. O sentido do título aparece depois do meio da projeção e até então presenciamos voyerismo, paixão kitsch,  claustrofobia, gato-e-rato, um corpo que atenta mais que um crime ..

Isso resume um pouco o filme: o atrativo que sobrepõe o acontecimento, o “real”. Sobrepõe-se tanto o real que, como disse, se torna pobre amarrar a narrativa. Ali, naquela seqüencia de cenas, o suspense esteve presente com o surreal e com o desconhecido até o fim. O máximo que conseguimos foi espiar. Mesmo após o fim. É mais que suficiente para mim.

Filmes citados:
Dublê de Corpo (Body Double) *****
Guerra Sem Cortes (Redacted) *****
Um Tiro na Noite (Blow Out) *****

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Uma resposta para “dublê de corpo

  1. é sempre mto legal ver comentarios sobre esse filme. ele é o meu preferido sempre e como é bom ver um filme q subverte, sangra cinema e ainda mais, fura toda uma hollywood, picota Loa Angeles. gosto mto de todos os atores do filme. nenhum ali tenta ser estrela e nenhum personagem é escrito pra alguém bonitão e viril interpreta-lo. ops, a deborah. sim, shhhh, não fale com ela, ela está ali pra ser seguida e supostamente espionada, apenas isso. até a melannie aparece toda putinha, toda deliciosa, no sentido mais inocente de tudo isso. e mesmo assim ela não tenta ser estrela. ela manda toda hollywood pra putaqueopariu e com louvor!

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