apenas o fim

“Apenas o Fim” não chegou a ser um filmes-ame-ou-deixe, na verdade, sobre sua simpatia, do que vi, passa bem perto do unânime. A grande crítica gira em torno dos diálogos de cultura pop de um casal que chega ao fim. Plástico? Calculado demais? Inverossímil? Não sei. Eu acho que não.

Primeiro não vejo Linklater ali. Daqui para frente não acredito que assim seja rotulado qualquer filme “um homem, uma mulher, um único dia” assim.

Os personagens são pós-adolescentes de hoje. Hoje, a década da overdose de informação, da nova tecnologia/segundo, da ausência de conflitos (voz, na verdade) políticos, do medo da violência e das drogas e conseqüente isolamento no seu lugar seguro (acompanhado de uma overdose de informação e de novas tecnologias/segundo).

Os jovens de hoje (classe à qual me incluo) é daquela que ouviu pais dizerem que “as crianças de hoje não brincam mais”. Elas passam a vida frente ao PC, à TV a cabo, à internet. Da pré à oficial adolescência, esses que já não partilham o brinquedo na creche, não mais fizeram do que adquirir cultura pop e viver próximo à ausência de acontecimentos e quase inexistência de grandes conflitos.

Sofremos por tabela. Sofremos tanto por tabela que alguns viram emos e já nem sabem mais porque sofrem.

Criamos conflitos amorosos que não existem.

Dessa juventude, se não foram as novas versões de uma mesmo banda que sucederam coisas como CPM 22, a canção é a dos Los Hermanos. E quantas das canções da banda não versam sobre o amor que prefere terminar sem conflito? Talvez sem razão.

O namoro de Tom  termina e não sabemos por quê. Apenas termina e é à isso que somos convidados a ver. Tinha um filme sendo gravado lá. Talvez fossem duas ficções ali sendo criadas.

“Apenas o Fim” é sim um belo retrato dos jovens de hoje. Com um filme apenas no currículo não dá para se chamar Matheus Souza de gênio ou chamar de qualquer coisa. Até porque sua técnica ainda é bem simples. Mas o filme é sincero, e o diretor estreante acerta em começar falando do que se sabe.

apenas o fim (idem – 2009, dir.: matheus souza) starstarstar

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