Monsters

Monsters, de Gareth Edwards(2010). Uma dessas pequenas pérolas que aparecem não se sabe onde, mas que bom que aparecem. Gareth Edward não tinha dirigido nenhum longa-metragem antes de Monsters, que ganhou fama passando após festivais ao redor do mundo – aqui no Brasil, o Festival do Rio. Eu imaginava ser mais um bom filme de horror que, por estar livre do mainstream, é mais livre, pois independente. Mas é muito mais que isso.

Monsters começa de uma forma comum com uma técnica bem feita. Os primeiros contatos com os monstros do título é discreto a princípio, cria um mistério em torno do desconhecido, não os vemos por inteiro. A principio meu palpite era de um ótimo jogo de cintura para os efeitos especiais de um filme de menor valor, mas passa o tempo e este vem provar o contrário. Os efeitos especiais são ótimos e utilizados da melhor forma possível.

A fotografia do filme também é bastante interessante. Nosso personagem principal é um fotógrafo e uma turista norte-americanos impressionados com “o mundo de fora”. Fora da barreira que os Estados Unidos criaram para se proteger dos – não mais invasores, como mesmo diz o cartaz do filme – novos habitantes da Terra. Pode parecer exibicionismo, mas para mim aquelas imagens belíssimas a ponto de artificialescas como de um cartão postal são o maior elo de sensações e sentimentos entre personagem e público. Junto com as já citadas aparições dos monstros.  Nessa fotografia exuberante, temos uma leve camada de discussão do papel da mídia. Outro bom ponto dela é a similaridade com qualquer revista National Geographic que vocês encontram em nas bancas.

Também há certa tensão sexual entre os dois personagens principais e um pouco das questões étnicas EUA-América Latina que é bem utilizada pelo roteiro. Nada disso, no entanto, se mostra um tiro  fácil do longa. São argumentos que ganham uma força impressionante com a surpresa que nos reserva. Como em todos os outros desconsertos que nos causa, não é um gran finale barato, mas algo que muda toda nossa visão sobre a película. Um momento lindo que eleva a experiência daquela história a muito mais do que demonstrava querer chegar.

Monsters ainda não tem distribuidora brasileira, mesmo após receber uma indicação no BAFTA, além de três prêmios e mais quatro indicações no BIFA – consecutivamente o Oscar e o Oscar alternativo britânicos. Me cheira a lançamento direto em DVD. Mas saiba que não é mesmo um filme a se menosprezar.

Filmes citados:
2010 Monsters (Monsters) ****

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