os descendentes

os descendentes ****
dir.: alexander payne, 2011, estados unidos

Quando começaram a apontar os grandes títulos para o próximo Oscar eu fiquei sem compreender porque Os Descendentes era um concorrente tão forte. Assisti o trailer, continuei sem compreender. Assisti, e confesso que não enxerguei tal pretensão de grandeza. O filme anterior de Payne, Sideways, me parece buscar isso com muito mais força.

Mas achei, sim, Os Descendentes um filme realmente bom e, porque não, excepcional. É um filme sobre uma crise muito particular. Familiar – e não parece apontar para nada fora de seu microcosmo. Porém – mais que a direção – o roteiro (escrito, além do diretor, por mais dois estreantes no cinema) é impressionante.

Alexander Payne não é muito diferente dos atuais autores independentes dos Estados Unidos, embora demonstre um pouco mais de talento. Nessa seara, é comum o roteiro se encher de diálogos espertinhos ilustrando situações extraordinárias (leia: bizarras) e tentando te convencer de que essas são prováveis e também estão presentes também no seu cotidiano. Elas são distribuídas nesse filme, mas as respostas para cada clímax são cativantemente reais. As ações do pai sem aptidão são plausíveis embora descabidas e o esse excelente roteiro dá conta de ir amarrando a sua desconexão/conexão com as filhas sem buscar resoluções ou grandes finais. Tudo acontece com muita naturalidade e o filme consegue ganhar confiança. É, por fim, uma história emocionante.

Como disse, não foi um exemplar de obra-prima. Mas Os Descendentes já se enquadra em uma lista pequena de filmes que, nos últimos anos, me deixaram com vontade de voltar no dia seguinte para revê-lo. Não para assistir à última grande obra cinematográfica, mais por que eu gostei dos personagens e me importei com eles. Foi um experiência agradável, um filme que, no entanto, me parece que crescerá mais um pouco na minha cabeça.

The Descendants era o único grande concorrente de The Artist na premiação principal do Oscar. Com 11 indicações, o maior número desta 84ª edição da premiação, Hugo acabou somado aos frontrunners. Com cinco indicações, o filme de Alexander Payne tem chances maiores em ator, para George Clooney, cujo único real concorrente até aqui é Brad Pitt, por O Homem Que Mudou o Jogo e em roteiro adaptado, onde concorre com Hugo. Veja os indicados e minhas cotações em cada categoria aqui.

2 Respostas para “os descendentes

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