ônibus 174 / tropa de elite / garapa

tropa

Tropa de Elite até se sobressai como o filme de gênero que não temos aqui, mas também não é amostra da maior aptidão cinematográfica. A narração em off de Capitão Nascimento gerou controversia, seria fascista, mas não acredito que seja o ideal tomar o discurso do personagem como discurso do filme, ou do realizador. E mesmo se de fato fosse, existe em “Tropa de Elite” recaídas humanas em diversos pontos, na maioria das vezes chamadas de revolução. O registro é bom quanto a expressão de mundo caos, sobram situações de limite.

Anterior à “Tropa de Elite” temos “Ônibus 174”, superior. Se ao final deixa a questão de talvez estar justificando um crime, também humaniza (porquê o é) o “bandido” em questão. Padilha organizou bons discursos, tocou pontos muito esquecidos em uma linguagem simples e que dificilmente não deixaria o recado almejado.

Dois filmes sociais, portanto. O cinema bem pouco. E seus filme são fenômenos por isso, talvez porquê a TV não fala aquilo tão bem. As pessoas talvez procurassem a algum tempo essa voz que a transmissora das massas não se arrisca a dar (explicitamente). Nesse ponto a inércia técnica de “Tropa de Elite” falha, o filme social, o discurso de Capitão Nascimento pode ser impulso, não porquê o filme é fascista, mas porquê nossa sociedade é.

garapa

Neste ano José Padilha estreou Garapa, exemplar fraco. Quanto cinema, existe apreço pela fotografia: optou pelo preto-e-branco para não eleganciar a pobreza com cores.aMas a quanto tempo o cinema preto-e-branco já não é estético? O marrom e o amarelo seriam mais ácidos e mais áridos talvez. Nesse seu documentário tenta novamente sua inércia narrativa, e dessa vez falha. Se tenta sempre ser imune, não resiste em alfinetar um pai sobre a saúde da filha e também insiste nas moscas sobre as feridas das crianças.

Toca no aspecto social da fome, e nas várias questões do assunto que também é cultural. Mas a opção por não intervir (e disso ser apenas tentativa) deixa a julgamento seus personagens para uma sociedade que há muito não enxerga seres humanos. A mesma sociedade fascista que adotou Capitão Nascimento como rei muito provavelmente tomará julgamentos de acusação para as famílias de “Garapa”. E dessa vez José Padilha pode ter cooperado.

ônibus 174 (idem, 2002 – dir.: josé padilha) starstarstar
tropa de elite (idem, 2007 – dir.: josé padilha) starstar
garapa (idem, 2009 – dir.: josé padilha) star

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