pro dia nascer feliz

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O maior clichê social do Brasil talvez seja que o país precisa investir em edução. É assim-que-nem aquela história de que cada um tem que fazer um pouquinha para… E de quem é a culpa? É a falta de incentivo e o ínfimo de exemplos de sucessos escolarizados que chega até as pessoas? Os professores são desestimulados? Os alunos são desestimulados? Os professores desestimulam, ou os alunos ? Falta verba do governo ou falta ação popular?

Não, “Pro Dia Nascer Feliz” não é um panfleto educacionista. É sobre as pessoas envolvidas nesse processo, o lado humano. Os estudantes, os professores e, timidamente (no documentário), os pais. São exemplos que canalizam várias idéias e certezas sobre os assuntos mas nunca ratos de laboratórios a favor de uma pesquisa.

Eu estudei em escolas públicas toda minha vida, digo que “Pro Dia Nascer Feliz” é sintético sobre  o meu ambiente escolar. É básico e certeiro. Os alunos sob influências externas, os negligenciados e simultâneamente superestimados professores, o papel principal da escola na vida de muitos.

Mas como disse, e mais que um plano sobre escolas, é sobre pessoas. E assim, involuntariamente talvez, é um dos panfletos educacionistas mais bem elaborados e tocantes. Não é possível passar passivo perante a história de cada uma daquelas pessoas, o tipo de filme que te força a sair da sessão como um pretenso revolucionário.

E João Jardim ainda dá mais um ponto positivo inesperado em seu filme. Sai da labuta dos desprovidos para salas de aulas particulares. Se é um filme tão humano, não menos o são aqueles que teorico e popularmente sofrem mais. Porquê então seriam mais importantes as tristezas, por exemplo, de Valéria do que as de Cissa? É óbvio as oportunidades que a segunda possui em relação a outra, mas isso não a torna menos humana. É uma adolescente tão afetada quanto e pelas mais diferentes coisas.

O diretor mais que acerta, portanto. Meus olhos saltam para filmes que aceitam e são apaixonados pelo ser-humano como esse. E estes seres-humanos são o material do documentário, o diretor parece não interferir nunca, mostra acreditar naquilo que está fazendo. E para o gênero “documentário” não deve existir ponto de partida melhor.

pro dia nascer feliz (idem, 2006, dir.: João Jardim) starstarstarstar

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