Lixo Extraordinário

Lixo Extraordinário, de Lucy Walker, Karen Harley e João Jardim (2010). Um olhar de fora sobre a pobreza, por alguém que nem sempre entende tão bem com o que está lidando. Aqui são os catadores de materiais recicláveis do lixão do Jardim Gramacho. Impossível conter a lembrança de Boca de Lixo. Principalmente porque a imersão naquele espaço e na vida daquelas pessoas passa longe da sensibilidade que Coutinho emprega em seu documentário.

O retrato é superficial. É um perfil rápido de cada um dos “escolhidos” por Vik Muniz para trabalhar e posar para suas obras. Existe alguma força de vontade em fazer aqueles depoimentos parecerem naturais e espontâneos. Pelo jeito não funcionou, para tanto, os diretores resolveram esconder em alguns momentos o som dos entrevistadores. Uma atitude não muito louvável. Tão quanto um momento vazio de pura estética, utilizando o cotidiano no Jardim Gramacho em câmera lenta acompanhado de uma trilha em alto volume.

Mais que esse erro, também há uma escolha errada do personagem principal. Vik Muniz é muito menos interessante que qualquer uma daquelas pessoas, embora o documentário se esforce em mostrar o contrário. Qualquer aparição dos catadores é muito superior em conteúdo e por conta própria dessas pessoas. Sozinhas, em seus discursos simples e sinceros, fazem deste longa uma experiência bonita em suas aparições livres e demonstram o poder que a arte tem de transformação.

 

Filmes citados:
1993 – BOCA DE LIXO (Boca de Lixo) ****
2010 – LIXO EXTRAORDINÁRIO (Waste Land) *

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