a caixa

Gosto de Donnie Darko, não o amo. Mas o que o cult deixa é uma certa esperança de um belo diretor  de suspenses  surgindo para o cinema atual. Não consegui assistir a mais de 20 minutos do posterior Southland Tales. Mas me entusiasmo novamente por Richard Kelly com  “A Caixa”.

Estão aqui ótimas características que saltaram no debute do diretor: a ambientação do filme e o território claramente – e muito bem – marcado como o do suspense com uma queda pelo horror. Richard Kelly se volta bem mais para esses seus dois talentos além de diminuir a vontade de querer abraçar o mundo todo com 2 horas de filme, contendo-se com uma pequena situação existencialista. Com um recorte menor, o filme também ganha pontos com seus personagens bem mais humanos, bem mais errantes, bem mais funcionais a obra.

O amor que Kelly nutre pelo surreal também acha seu lugar. No longa, ele é tratado para ser natural e, funcionando, eleva o o filme em uma atmosfera certamente assustadora.

Langella não é mesmo surpresa. Mas todo o elenco está muito bem, com destaque para Cameron Diaz, que eu nunca tinha visto dramaticamente bem dessa forma. Sua personagem é frágilíssima e abobada. Encaixe perfeito.

Embora não abra mão do CGI, Kelly usa bem mais a direção clássica de arte para compor seus ambientes. O melhor deles é o momento em que Steward, em uma sala ao fim de um corredor, com um papel de parede ao fundo quase psicodélico o qual seu rosto deformado parece fundir-se, enquanto a câmera segue aproximando em sua direção, enquadrando-o  pelo esquadro da porta.

a caixa (the box – 2009, dir.: richard kelly) starstarstarstar

3 Respostas para “a caixa

  1. É um bom filme sim. Mas eu também gosto de Southland Tales, que é bem bagunçado, mas funciona como sátira esculachada, com muita coisa realmente boa dentro do filme (ainda que em meio a certas bobagens). Já o Donnie Darko acho que o filme se sustenta no conceito, mas acho a execução bem irregular (um tanto por causa da inexperiência do diretor na época).

  2. Pode parecer um absurdo, mas o que acho de Donnie Darko é que ele é charmoso. Essa inexperiência também surge em favor disso.

    Eu realmente penso em “revisar” Southland Tales. Talvez aconteça.

  3. Pingback: Os filmes de 2010 vistos ate aqui « no escuro e vendo·

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