Melancolia

Melancolia, de Lars Von Trier, infelizmente virá marcado pela polêmica do discurso sobre o nazismo que o diretor fez em Cannes neste ano. Fruto de uma grande bobagem jornalística, diga-se. Qualquer um que conheça a filmografia do diretor sabe que seus filmes estão muito longe dessa ideologia, assim como sabem do gosto que ele tem pela polêmica e não cairiam nela.

A primeira parte do filme é um desespero protagonizado por Justine (Kirsten Dunst). A família organiza a festa de casamento para vender a ideia de dia-mais-feliz-da-vida para a moça depressiva. Tentar puxar Justine da melancolia pelo menos por um dia. Dunst, que venceu Cannes este ano, está em seu melhor momento. Do sorriso, seguindo o protocolo do matrimônio, sai uma tristeza sem tamanho. A atriz é o corpo todo da parte 1 de Melancolia e Von Trier arranca cada um dos melhores momentos invadindo os personagens em closes fechados. A paleta de cores é triste e artificial e a fotografia bêbada em alguns momentos se assemelha ao tipo de filmagem dos vídeos chatos de casamento mesmo.

Na parte 1, Kirsten Dunst tenta entrar no mundo da irmã. Na segunda, quando a aproximação do planeta Melancolia da Terra deixa de ser coadjuvante, Charlotte Gainsbourg, a irmã Claire, vai sendo puxada para o mundo de Dunst. Assimilei o filme com “Sorrow”, música da banda The National. “Sorrow found me when I was young. Sorrow waited, sorrow won. (…) Simpaty, ‘cause I don’t wanna get over you”. Lars Von Trier escreveu seu filme anterior, Anticristo, durante uma depressão. A ressaca da fase não é uma negação. Melancolia leva a tristeza com naturalidade. O filme não rejeita sua catástrofe, o caos está na “invasão de atmosferas”, metáfora usada também no filme.

Os longas do dinamarquês infelizmente vem sempre apoiados em inúmeras simbologias para funcionar e, embora se mostrem sempre inteligentes e funcionem como adições interessantes à narrativa, são penduricalhos e impedem que a apreciação de toda a mise en scène que o diretor possui seja plena.

Afora isso, o filme é realmente forte. Emocionante em um forma incomum. No choque do planeta Melancolia com a Terra, apresentado uma primeira vez já no começo do filme, a sensação de colisão com a tristeza ali representada é fortíssima. É uma cena impactante que não se vê em qualquer filme catástrofe.

Filmes citados:
Anticristo (Antichrist, 2009) ***
Melancolia (Melancholia, 2011) ****

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