meia-noite em paris

Woody Allen nunca foi de negar o fantástico, tanto que criou um mundo no cinema que é particular. Não conheço ninguém que emule os filmes do diretor. Aqui, ele entra em um sentido mais óbvio da palavra para falar um pouco sobre a cidade dos sonhos.

A Paris de Allen é a mesma de 90% das pessoas. Romântica, erudita, brilhante e encantadora. A vista é tão comum que ela começa a ser apresentada pelos lugares mais clichês – e Woody está de acordo com isso, mostra-as com beleza e fascinação.

A persona alleniana da vez é Owen Wilson e ele imerge em busca de sua obra na cidade que o inspira. Mais que isso, na situação e na realidade que ele acredita ser ideal. Woody faz isso há alguns anos tentando achar uma forma ao mesmo tempo rentável e de sucesso para seus filmes. Meia-Noite em Paris é a melhor delas desde Match Point. Desde então, seus filmes, embora não sejam ruins, não parecem relevantes em uma filmografia que tem uma nova obra a cada ano há 60 anos.

E aventura é divertidíssima. O filme vai entrando nas referências de todo esse mundo que amamos (que gosta dos filmes de Woody Allen, ama; ou odeia, não conheço meios termos) e as piadas são afinadíssimas. O filme é vulnerável por ser tão aberto, mas estamos falando de alguém digno de ser chamado de mestre – e isso não acontecia desde Match Point – então tudo dá certo. Se sustenta. E os personagens do presente são igualmente divertidos. E o que é aquele quadro final, na chuva, com luzes parisienses funcionando de cenário para Léa Seydoux. Lindo, hein?

E encantador é a melhor palavra de fato. Impossível não sair ainda mais apaixonado por Paris. Ou Woody Allen. Guardando proporções, a liberdade e o conforto do diretor neste longa me parece ser  a mais próxima de Annie Hall, o melhor de diretor.

Filmes citados:
2005 Match Point – Ponto Final (Match Point) *****
2011 Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris) *****

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3 Respostas para “meia-noite em paris

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