paul, mccartney, morumbi, 21 de novembro

E de repente, você esbarra com alguém no corredor e ele te diz que Paul McCartney vem mesmo ao Brasil.  Em questão de dias, um dos shows já tem venda de ingressos aberta. No dia seguinte, ingressos esgotados. Uma semana depois, com as outras duas apresentações agendadas, é o mesmo. E você conseguiu  seu ingresso.

É tudo muito surreal. Já é vespera para o seu show, você troca seu ingresso. Ele está na sua mão. A TV anuncia que vai transmitir esse show ao qual você vai. Mas você ainda no céu.

Você está na fila, de pé, pronto para entrar no estádio, e ainda não caiu a ficha. Você está dentro de um estádio imenso, cheio de pessoas tentando contato com o mundo exterior para contar: “Eu estou aqui!”. Mas é tudo feito enquanto se flutua. Pés fora do chão.

Paul McCartney, ex-beatle, indubitavelmente o maior deles vivo (sem dúvidas o maior, sem dúvidas vivo – muito mais que eu). Ele está na América Latina para cinco shows, depois de décadas, e você está em um deles. É tudo muito parecido com um sonho.

Esse sonho começa. Venus and Mars are alright tonight. E você só olha, e lá está ele. LÁ ESTÁ ELE! All My Loving, Drive My Car, Eleonor Rigby. Ainda é um sonho. Ainda é aquela imagem que você cria na sua cabeça enquanto ouve seu MP3 apertando os fones forte contra os ouvidos, tentando ao máximo enfiar aquilo na sua cabeça. Tentando entrar naquela canção. É tudo muito parecido com essa imagem e com nenhuma outra. Com essa imagem de um sonho. Você realmente nunca sonhou que estaria ali, em um show de Paul McCartney.

E com um pouco de informação que os jornais deram nesses dias, ou ouvindo/vendo o último cd/dvd de Paul, você ouve os primeiros ruídos de “Back to the U.S.S.R.” e sabe que aquele espetáculo já está no meio. Mas você está ocupado, cantando alto, pulando, com braços e nuca arrepiados.

O show segue e de repente aquela música. Talvez não seja a melhor, pensando bem. Mas é a música que você não cantou sozinho com seu IPod, é a música que você se imaginava cantando com outras milhares de vozes. É a música que você quer gritar alto e desafinar e ficar rouco. É Hey Jude. Deixar sair para que possa entrar. Um grito mesmo.

E teoricamente o show acaba. Mas se você sabe que não acabou, sabe então que está acabando. Vem um bis. Outro bis. Você ainda alto. Mas é melhor aproveitar o que se tem, porque ainda é um sonho, mas você parece estar a  ponto de acordar. Você nunca sonhou que estaria em um show de Paul McCartney, mas você está. E a seqüencia é matadora. Para encerrar é Get Back, Yesterday, Helter Skelter, Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band e The End.

É o fim e vai estar nos seus sonhos esta noite. Ainda vai parecer um sonho. Mesmo que você nunca tenha sonhado estar em um show de Paul McCartney.

Uma resposta para “paul, mccartney, morumbi, 21 de novembro

  1. Só não leio de novo agora porque você já sabe o efeito que causou em mim, e finalmente superei tudo isso. =P
    Mas que ficou lindo, ficou.

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